terça-feira, 26 de abril de 2016

Capítulo 01

Era uma manhã clara e ensolarada no Reino de Aveputy...

Nenhuma nuvem no céu...

Apenas um tímido vento frio balançava suavemente suas verdejantes colinas e plantações...

O sol nascera a poucas horas, mas as ruas da Capital do pequeno Reino já estavam lotadas!

Entre as torres das mansões e os telhados dos casebres, bandeirolas coloridas anunciavam que hoje era dia de festa! E por todos os lados, nativos e estrangeiros se divertiam passeando pela Grande Feira (saboreando quitutes e guloseimas; além da farta distribuição de bebidas; numa infinidade de tendas e barracas espalhadas pelo centro). Crianças eufóricas aplaudiam os artistas circenses (que agradeciam as moedas); e os jovens aproveitavam para namorar às margens dos Rios Yaid e Nuj!

Este ano Aveputy comemora o 13º Aniversário da Queda do autoritário Rei Ockmarr (Senhor dos Anões que vivem nas Minas Tarres); deposto pelo Exército da Estrela Vermelha. Seu sucessor no trono (Bock Allon - conhecido como o Paladino Vermelho, graças à sua armadura feita com placas rubras) restituiu o poder aos Humanos (esmagadora maioria da população); e implementou uma série de medidas populares - como a redução dos tributos e fomento à economia local. Mesmo assim, muitos simpatizantes ao antigo regime ainda o chamam de "Usurpador" (e vivem conspirando sua queda - pensando, obviamente, na volta das riquezas do Rei Anão).

Assim como a maioria dos habitantes da Capital, vocês também estão caminhando em meio à multidão...

Próximos a vocês, está o palco central da festa (onde Bardos e Menestréis irão se apresentar). Uma trombeta aguda soa e a multidão se aquieta, voltando sua atenção para esse palco. Vocês vêem apenas um homem enorme, trajando uma armadura escarlate, sorrindo e acenando para a multidão. Ele dá um passo à frente, e seus cabelos negros desgrenhados balançam ao vento, antes de iniciar seu discurso:

- Povo de Aveputy! Mais uma vez tenho a honra de iniciar as festividades em comemoração ao Feriado da Independência Humana! Mais do que isso: independência de todos os Povos Livres! Quero deixar bem claro que nossos irmãos Anões não são culpados pela tirania de seu regente... e que todos são bem vindos em nossa querida Aveputy! Acredito que os senhores e senhoras ainda se recordam daqueles tristes anos vividos sob o aço e o fogo das forjas de Tarres, não é verdade? Bem... é exatamente isso que comemoramos hoje! Comemoramos a nossa liberdade!

A multidão está eufórica, apesar de alguns Anões e simpatizantes do antigo regime manifestarem seu descontentamento de forma discreta. O Paladino Vermelho continua seu discurso, mas é difícil ouvi-lo acima dos gritos do público...

* Peça um Teste de Percepção aos Jogadores. Qualquer um que seja bem-sucedido notará uma figura encapuzada estranha, trajando mantos negros, esgueirando-se através da multidão, em direção à parte de trás do palco principal. A figura só ficará visível por um segundo; antes de mesclar-se à multidão.

O Paladino é um guerreiro poderoso, carismático e experiente; e exatamente por isso, um tanto descuidado! Ele acredita que nenhum inimigo terá coragem de atacá-lo em público (e por isso dispensou seus guarda-costas ao subir no palco). Aparentemente ninguém mais notou a figura silenciosa se aproximando sorrateiramente dele...

A menos que seja impedido, o assassino subirá ao palco, sacará uma adaga e cravará sua lâmina nas costas do Príncipe-Regente... instaurando o caos na multidão!

* Após o ataque, a população enlouquece! Qualquer um que não esteja no palco terá seu deslocamento reduzido à metade (Valor do Atributo AGI / 2 km/h); além de uma penalidade de 10% em todas as suas jogadas de Ataque e demais Testes de Habilidade (devido ao movimento das massas populares insanas)!

Os Soldados e os Paladinos do Exército da Estrela Vermelha serão mobilizados para proteger seu líder; e o Assassino tentará fugir em meio ao caos. Sua meta é percorrer os 500 metros entre o palco e o Rio Nuj (mergulhando em busca da liberdade em suas águas turbulentas com rápidas corredeiras). E neste caminho, acabará cruzando com os Personagens dos Jogadores...

* Se, durante a luta, o Assassino for capturado e seu manto for removido; todos verão que ele é, na verdade uma Meio-Orc fêmea! Ela não admitirá nada (nem mesmo seu nome); e fará tudo que puder para escapar e fugir em direção às Minas Tarres. Descreva-a como uma abominável criatura de quase dois metros de altura, pesando mais de cem quilos, com sua pele acinzentada, mandíbulas largas e dentes caninos inferiores proeminentes. Seios e barriga fartos, embora reptilínea; pouco protegidos por uma armadura velha, enferrujada. Empunha uma espada bastarda já desgastada pelo tempo (a qual maneja com pouca técnica mas com muita vontade).

* Assassina (Meio-Orc, Guerreira, Nível 01): STR 08 (70%); PER 05 (48%); END 07 (57%); CHR 02 (19%); INT 06 (57%); AGI 07 (65%); LCK 05 (48%); Arqueirismo 20%; Armas Brancas 30%; Briga 40%; Defesa 30% [Cabeça 30% (+00); Tronco 40% (+10); Braço Direito 36% (+06); Braço Esquerdo 36% (+06); Perna Direita 32% (+02); e Perna Esquerda 32% (+02)]; Cavalgar 26%; Conhecimentos 28%; Crime 30%; Esportes 30%; Furtividade 30%; Investigação 25%; Lábia 20%; Medicina 20%; Ofícios 20%; Sobrevivência 40%; Nível de Vitalidade 07.

Se o grupo conseguiu evitar o ataque; se não conseguiu, mas pelo menos prenderam a Assassina; ou se não conseguiram prendê-la, mas pelo menos tentaram ajudar; o Paladino Bock Allon fará questão de agradecê-los pessoalmente:

- Muito obrigado, meus amigos... Não são poucos os inimigos da democracia! Sei que não fui o primeiro regente a levar uma facada nas costas; e muito provavelmente não serei o último... Mas poucos foram aqueles que experimentaram esta sensação literalmente! Cof, cof... (cuspindo sangue). Os senhores mostraram bravura e coragem, e serei eternamente grato! Mas... talvez eu precise de mais uma ajuda...

Ele lançará um olhar aos Personagens... questionando se pode confiar neles!

- Preciso que os senhores descubram quem é que está tramando a minha morte... Acredito que seja o nefasto e covarde Rei Anão; mas não posso enviar minhas tropas, sem que isso quebre o armistício de treze anos atrás! Bom... é claro que farei tudo que puder para proteger o povo de Aveputy; mas, antes de declarar guerra, eu preciso ter certeza de que ele é o culpado! Obviamente, os senhores serão regiamente recompensados pelos vossos esforços... mas não façam por mim ou pelo ouro! Façam pelo nosso Reino! Se os senhores me dão licença... preciso receber cuidados médicos...

O Monte Tarres é a única montanha encravada no território de Aveputy. Dizem as lendas que os Anões construíram um Reino Subterrâneo de proporções gigantescas; composto por cavernas, túneis e galerias esculpidas na própria rocha da montanha. Seu pico permanece nevado durante o ano inteiro; e do degelo nascem córregos de água pura e cristalina, que desaguam nos dois rios que cortam o Reino e seguem em direção às Grandes Campinas (ao norte). Nenhum povo (exceto alguns poucos Anões estrangeiros) jamais recebeu a permissão de entrar no Monte Tarres...

Na última década, surgiu um acampamento goblinóide na encosta íngreme do Monte Tarres. Acredita-se que tenham vindo das terras do sul e do norte; aglomerando-se como um câncer nas paredes (outrora límpidas) da montanha-símbolo do Reino. E com eles vieram a poluição do solo, do ar e das águas; a destruição das florestas; os assaltos; os assassinatos etc. As tropas do Exército da Estrela Vermelha tentam combater os problemas, mas temem invadir o território do Rei Ockmarr; e os Anões comandados por ele parecem não se importar com os problemas da superfície...

* Peça um Teste de Conhecimentos ao grupo (se os Personagens forem estrangeiros, esse Teste deverá ser feito com metade do percentual da Habilidade). Se alguém passar, revele a seguinte estratégia: será uma viagem de duas horas (ou uma cavalgada de meia-hora), margeando o Rio Yaid até a base do Monte Tarres; seguido por uma escalada difícil pelo lado sul da montanha (oposto ao acampamento); até o antigo Posto de Troca com os Anões (desativado desde a queda do Rei Ockmarr). Esta é, provavelmente, a melhor forma de alcançar a entrada do isolado reino subterrâneo...

Deixe o grupo se preparar para a missão (inclusive procurando equipamentos de escalada e proteção); ou mesmo frequentar um pouco mais da Grande Feira (se assim quiserem). Em algum momento antes da partida, um garoto de rua se aproximará do grupo e entregará um documento com o selo real. Ele desaparecerá na multidão, antes que alguém consiga fazer qualquer pergunta. Persegui-lo é inútil. Ao abrir o pergaminho, o grupo lerá:

"Saudações, heróis! Compareçam imediatamente à Taverna dos Irmãos Yssur, para tratar de um assunto de extrema e absoluta importância. Atenciosamente, Mago Philomenus".

Assim que o pergaminho é lido pela primeira vez, ele se desintegra... tornando-se poeira! O Mago Philomenus é considerado o "segundo em comando" no Exército da Estrela Vermelha; e é o mais respeitado conselheiro do Paladino Bock Allon (embora muitos temam seus poderes mágicos). E a Taverna dos Irmãos Yssur é conhecida como o principal estabelecimento de Aveputy - ponto de encontro e comércio da população local! De cerveja gelada à espada vorpal, os Yssur vendem de tudo (inclusive alguns artefatos mágicos)! Mas o local só abre ao meio-dia... e ainda são nove horas da manhã!

* Se o grupo preferir não encontrar o Mago Philomenus na Taverna dos Irmãos Yssur; siga diretamente para o Capítulo 03. Porém, se eles atenderem à convocação, vá para o Capítulo 02.

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